sábado, 29 de maio de 2010

Passeios ao léu

Praia de Boracéia
quando começo a escrever alguma coisa trava sempre, abundam os papéis interminados pelo lapís, são muitas as ficções nunca terminadas, as memórias não ditas, nao relembradas na escrita. um desses textos largados ao léu esta aqui, retomado, finalizado, agora não mais meu mas de todos que quiseram lê-lo. espero que eu consiga terminar de escrever minhas linhas.
ps: depois que eu postar acho que o layout estará diferente, pati tá mexendo...

ouvindo maysa a cantar ne me quitte pas começo estas letras e, num segundo não contado, a música acaba e vejo agora non, je ne regret rien na antiga vóz de edith piaf. meu primo diz que tem momentos de intimidade com meu eu. interessante maneira de dizer que se está só, pensando consigo mesmo a dor de viver. não quero aqui dizer que a vida é uma caixa que diariamente se abre somente com os pesares, como no mito de pandora; que viver não tem suas doçuras tão doces quanto foram as amargas horas de outrora, tem sim, há um brilho na vida que nos mantêm respirando, que deve ser um pouco aquilo de nos impede de desistir de tudo, todos, e se entregar ao breu-poço da morte. sim há doer em viver, sofrer em amar, cansar em buscar, mas o prazer do cheiro cheiroso da flor da laranjeira nos ajuda a caminhar. maysa, eu, meu primo, mayumi e pomba, tantas vezes entregues à melancolia que se insinua lá já na primeira solidão, do quarto, do ônibus, da caixa eletronica-que-tudo-tem.
mas onde estão estas flores agora, os lagos que meus pais se banharam, aqui atrás nas ruelas do bairro. se o colorido-belo da natureza faz os homens persistirem em sua luta, não sei por quanto tempo teremos coragem de seguir em um cinzesfriante-afogante de fumaças que nos rodeiam.  natureza arranja  jeito de por lirismo alí..... concretiza o cinzaconcretojá metamorfosiando- o em vida, assim vamos resistir né, lá onde a luz quer se apagar, não vamos deixar.

descer pra praia e banhar o corpo cansado de asfalto (e este é de tantos tipos). lavar a alma do pretume impermeável e entrar areia e sal pelos poros, limpando-os na transparncia gelada entre as rochas da mata, com aquele céu meu deus!, por entre o azul infinito e o verdíssimo cheiro das arvores que avizinhavam aquela cachoeira, que providencial aquela trilha!

29 . 05 . 2010 assim comecei há algum este texto, pensando em duas amigas que estavam comigo na praia, só nós três, livres do céu tampado pelos prédios, libertos do peso asfáltico de atravessar quilômetros sem saber exatamente pra onde vamos, mas se vamos, vamos juntos então, por décadas sem fim.
pombas efêmeras, mares e céus efêmeros e e o sóis nascentes do ocidente efêmeros, valem a pena uma taça de champanhe vendo estrela cadente na praia de céu infinito. 

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